Sexta-feira, Julho 09, 2004
(de 9 de dezembro de 2003)
Episódio de hoje: Chapeuzão Vermelho
Uma fábula infantil com a participação especial de Marianrrela, el Cabezón, famosa prostituta paraguaia.
Era uma vez uma menininha que um dia foi à feira comprar melões e melancias. Como tinha esquecido de levar uma sacola, colocou tudo dentro de seu lindo chapéu vermelho e voltou pra casa. Desde então ficou conhecida como Chapeuzão Vermelho, a menina mais cabeçuda de todas as historinhas.
Um dia Chapeuzão resolveu visitar sua avozinha, que morava em Lagoa Santa, no interior de Minas.
No caminho ela ia pedindo carona e cantando:
Pela estrada afora eu vou com o Jorjão
Sentada na boléia de seu caminhão
A sua mão é boba, a estrada é deserta
Sorte que eu sou uma menina esperta
Vim preparada, na minha bolsinha
Tem um bom estoque de camisinha
O que Chapeuzão não sabia é que o Lobo Mau - um ex-namorado tosco, que falava atrocidades - resolveu segui-la na viagem. O Lobo Mau estava carente e queria comer Chapeuzão.
A menina estranhou a casa vazia, não sabia que os avós tinha viajado no fim de semana, e se encaminhou para o quarto. Encontrou o Lobo Mau deitado na cama.
- Lobo Mau, que touca ridícula é essa?
- Tá grande, né? Agora eu sei de quem você puxou esse cabeção.
- Lobo Mau, pra que essa boca tão grande?
- Qual é, Chapeuzão? Olha quem fala...
Pra poupar muito trabalho e correria - e ela detestava correr - Chapeuzão liberou logo pro Lobo. Mas ele tava numa de amorzinho, queria namorar, casar, ter filhos...
Chapeuzão começou a rir da cara dele. Sua risada era alta e apavorante. O Lobo ficou com medo, muito medo, saiu correndo e nunca mais apareceu.
MORAL DA HISTÓRIA: Cabeçuda é a vovozinha.
LUCIANA FILPO 2:50 PM
Comments:
(de 4 de dezembro de 2003)
Episódio de hoje: Bebetinho Miu-miu
Bebetinho Miu-miu era um travesti pobre da Lapa. Morava num sobrado na Rua do Riachuelo, onde organizava churrascos na laje, com carne de gato e pagodinho. Reunia amigos como Paul Pom-pom, Ratanga Bumbum, Lucraia e a famosa prostituta paraguaia Mariânrrela, el Cabezón. Nessas ocasiões, o carteado rolava forte, com Mau-mau a dinheiro alto e todos os tipos de trapaças. Para desestabilizar os adversários, Bebetinho falava merda o jogo inteiro. Um clássico era sua versão da música 'miu, mau, miu, mau, lalá lalalalá', do desenho infantil.
Utilizando esse tipo de truque, Bebetinho começou a depenar os amigos e pôde diminuir um pouco o número de programas de suas noites, aproveitando também para se divertir.
Foi numa dessas noites livres que Bebetinho resolveu estreiar uma bolsa nova e rumou para um inferninho na Praça Mauá. Chegando lá, teve uma visão do paraíso: toda de preto, com coturnos enormes, num estilinho dark-gótico-escroto-pra-caramba, lá estava Alix Remix, a DJ mais bagaceira da noite carioca.
Bebetinho tremeu nas plataformas. Foi desviando da multidão, derrubando as putas e os marinheiros, enquanto arrancava a peruca e limpava o batom, aproximando-se daquela deusa da feminilidade. Deu logo uns catrancos e a levou pro carro novo, que comprara com a ruína de seus companheiros.
- E aí, gostosa. Quer conhecer meu outro Picasso?
- Você é pouco modesto pra um cara que usa cílios postiços.
Duas semanas depois eles se casaram, os dois vestidos de noiva. Dois meses depois tiveram o primeiro filho.
Bebetinho Miu-miu e Alix Remix enriqueceram com a grana dos amigos e hoje em dia moram numa cobertura na Lagoa, porque o sonho deles era poder ver a Árvore de Natal sem ter que encarar o trânsito. Mas nunca esqueceram seu passado e sempre fazem festas em que o submundo em peso se faz presente, com muita drogas, jogos de Mau-mau e Catuaba Selvagem. E quem o vê em roupas masculinas, dificilmente imagina que debaixo daquela fachada de homem sério, Bebetinho na verdade carrega uma louca. Só seus amigos próximos sabem que, mesmo debaixo de um terno Armani, Bebetinho nunca dispensa uma boa calcinha de renda.
LUCIANA FILPO 2:49 PM
Comments:
(de 15 de maio de 2003)
Não tem mais chopp no Caneco...
O Caneco vai fechar. Inacreditável. Depois do Real Astoria virar uma pizzaria com cara de coisa americana (agora acho que é uma importadora) chegou a vez do Caneco ir abaixo. E com ele, milhares de lembranças e histórias de quando a gente bebia muito mais e se preocupava muito menos. Ainda bem que a Pizzaria Guanabara ainda resiste.
O Julian mandou de Londres um e-mail excelente sobre essas velhas histórias. Pra galera ficar bem nostálgica. Mas quem não estava lá, não presenciou, também vai se identificar com alguns personagens. Afinal, que carioca nunca teve um episódio de porre ou mico no Caneco 70? Eu tive muitos... Os que eu consigo lembrar, foram ótimos!
"Essa é uma pedrada...
Pra quem não achava que tava ficando velho, faz mais ou menos 15/16 anos que a gente começou a ir ao Caneco - nas primeiras vezes saindo de tarde do clube, bebendo vários chopps aguados e voltando bêbado pro clube, fazendo merda à vera no caminho.
Algumas não vou esquecer:
A competição de chopp
8 (?) pessoas tinham que beber um chopp a cada 8 minutos até que alguém desistisse; depois 7 a cada 7 minutos e assim por diante. No final tinha o Marcus e eu, viramos uns dois até que eu parei. Marcus tinha que acabar o último pra ganhar - virou e depois, claro, passou mal...
Buba e Petit dormindo na praia depois do Caneco
Eu fiquei dormindo nos degraus em frente à praia do Leblon, sentado de cabeça baixa. Buba (ou foi o Petit?) tirou os sapatos com o maior cuidado, pra não sujar, sei lá. Quando a gente acordou tinham levado o sapato do Buba e o relógio (!) do Petit. Ninguém viu (ou sentiu) nada. Acho até que o Petit ficou uns dias sem sentar. Depois voltamos de taxi pra Barra, e o taxista passou por cima de um presunto no túnel (na época) Dois Irmãos.
Clyde criando confusão
Essa teve várias vezes, claro, mas não esqueço a imagem dele agarrado com uma cadeira, nem os jogos de beber tipo ping-pong, com Mike Jones e Marcello Demarchi pilhando a pirralhada (a gente).
Bocão do Dudu, Marcello virando chopp
Dudu Soluri virou especialista nessa porra, mas o Marcelo era mais rápido.
Buba vomitando na Pizza
Essa acho que só eu vi. Não, tinha mais alguém... Zé? O Caneco até que tava bem cheinho, tinha uma galera bebendo socialmente e a gente ficou horas bebendo, claro, anti-socialmente. Acho que foi isso. Mas, enfim, foi todo mundo embora e ficou eu e o Buba e mais alguém. Pedimos uma pizza-chiclete.
Nos primeiros pedaços o Buba já baixou a cabeça. A gente ficava com aquela teoria ridícula que não podia baixar a cabeça e ficava levantando a cabeça dele, ou falando pra ele levantar. Não deu outra, na terceira levantada de cabeça ele vomitou direto em cima da pizza, mesa, cadeiras ao lado, tudo. A gente não sabia se ria ou se tirava ele dali. Acho que a gente só riu. O garçom veio - puto - e começou a limpar a mesa. A gente pagou e saiu batido, pegou um taxi. Buba foi no banco de trás e vomitou em todas as curvas. O motorista nem viu. Eu ia continuar no taxi mas paguei e saí batido, claro... Por essas e outras (16 cointreaus) que o Buba não consegue beber hoje em dia e fica com verme na barriga...
Zé chapado no banheiro
A gente tava no Caneco (acho que com a Maria Paula, qdo namorava o Rat) e subiu pro Alto Leblon pra falar com o Joe. Esquecemos o Zé, que tinha ido pro banheiro. Depois de um tempão a gente lembrou e voltou pro Caneco. O Zé nem sabia que a gente tinha ido, tinha chapado no banheiro amarradão...
E muitas outras histórias mais, mas claro que a maioria dos meu neurônios já faleceram, e o Zé com certeza vai consertar muitos dos detalhes que eu omiti ou mudei, mas a moral da história é a mesma: morre uma das casas da nossa juventude. No meu caso, o primeiro lugar em que fui beber regularmente. Pra um alcólatra doem essas coisas....
Virem um chopp por mim...
Abraços,
Bala-Caneco"
LUCIANA FILPO 2:46 PM
Comments:
(de 27 de março de 2003)
A incrível história da barriga da Lu Coutinho
Luciane experimentou mais uma calça, que também não fechou na barriga.
"Ué? Essa eu comprei na Gang semana passada, como eu engordei tanto assim?"
Estava atrasada pro trabalho. Colocou uma bermuda de lycra, tomou 3 comprimidos de Luftal e foi correndo pro ponto. Tava lotado. "Se o remédio fizer efeito, eu esvazio esse buzão. E se eu mirar no trocador, nem pago a viagem."
Mas entalou na roleta. Uma negona atrás começou a reclamar: "Passa logo, ô barriguda!" e um molequinho começou a empurrar. Ela foi praticamente cuspida no meio do ônibus. "O que será isso? Será que foi ontem à noite? Eu já falei pro GG que não é pra soprar..."
Trabalhou meio desconcentrada, pensando nesse inchaço recente. Tirou um bife tão grande de uma cliente, que era praticamente uma picanha. Gorjeta, nem pensar.
Saiu direto do trabalho pra uma rezadeira que indicaram. Era barriga d'água na certa, só cura rezando. A velha fumou dois charutos, ficou muito louca e começou a berrar: "Pança nojenta, que quase arrebenta, sai água, sai banha, sai dessas entranha..." e dava chicotadas de arruda na barriga da Lu. Um horror. Ela ficou muito traumatizada, levantou pra ir embora e a macumbeira falou: "Isso num é barriga dalga não, isso é gérmens. Mizifia toma germífico que gospe as minhoca tudo."
Lu foi conversar com a mãe. Estava muito abalada.
- Minha filha, será que você não está grávida?
- Grávida, mãe? Como?
- Ué, será que eu esqueci de te explicar isso? Filha, aquela história da cegonha não é bem...
- Não mãe, isso eu sei. O problema é que eu nunca tive coragem de te contar uma coisa... É que o GG, na verdade, é pp...
- Ah, eu já imaginava... Mas tudo bem, pp faz bb assim mesmo. Você vai ser mãe de novo!
- Que alívio! Isso quer dizer que ele pode ser o pai do João Gabriel também. Vou parar de cobrar pensão do padeiro.
E assim a Lu descobriu que vai ser mãe do Pedro, mais um tricolor que vem ao mundo pra sacanear o Marquito Bumbum. Parabéns, família Polvo!
LUCIANA FILPO 2:44 PM
Comments:
(de 10 de março de 2003)
A LENDA DA PRINCESINHA ROSA BEBÊ PARTE 2 - O inimigo do ritmo
A festa de 15 anos de Paul estava bombando, com adolescentes dançando freneticamente pelo salão. Mas numa mesa no canto, sentado cabisbaixo, estava um menininho louro. Ele não podia se juntar ao grupo, porque não sabia dançar.
Marcus era uma criança tímida, de poucas palavras, muito diferente do que é hoje em dia. Numa época de embalos, ele não sabia um passo sequer. Tudo que conseguia fazer era morder os lábios, com vergonha de sua condição, e tocar air-guitar. Mas nem isso ele sabia fazer direito.
O sonho de Marcus era ser um grande bailarino. Secretamente, ele frequentava as aulas de jazz da Carlota Portella, onde era conhecido como "aquela bichinha que não sabe dançar".
Na festa do Paul, Marcus estava no auge de sua tristeza, porque sua musa estava lá. Vestida de vinil vermelho, Vanessa dominava a pista e Marcus se desesperava porque sabia que jamais poderia acompanhá-la naquelas coreografias, por mais ridículas que fossem.
Foi então que começou o show. O palco da festa se encheu de fumaça, os tambores rufaram e a atração da noite desceu ao palco pendurada pelos cabelos negros. Todos gritavam: "Lu-craia, Lu-craia, Lu-craia!" Era ela! A maior dubladora da Gretchen que já existiu: Lugulus, a Lu-craia.
Ela era muito parecida com a Gretchen, só que mais acabada. Em compensação seu porta-malas era maior. E rebolava ao som de "Conga la conga", acompanhada por dois negões de sunga. Era o show mais popular nas festas de debutantes da época.
Os olhos de Marcus brilharam ao ver os dois deuses de ébano. Naquele momento ele teve uma revelação. Apesar da cor da sua pele e dos cabelos de gemada, Marcus tinha sangue africano correndo em suas veias. Havia um negão dentro dele (no bom sentido) e só faltava assumir isso para liberar toda a sua ginga e malemolência.
Marcus se levantou de um pulo e correu para o palco. Atingiu Lu-Craia com um direto e tomou seu lugar entre os negões, rebolando descontrolado.
Alguém chamou seu nome e então ele fez um sinal (igual ao do Jô) e parou a música.
"Não me chamem mais por esse nome louro. Agora eu sou Ratanga, o príncipe negro, o rei do bumbum!"
A música recomeçou, "Piripiri piripi piripipi...." e Ratanga Bumbum movia os quadris e gemia "ai, ui!"
O público foi ao delírio. Na primeira fila, Vanessa não conseguia esconder o desejo que sentia por aquele corpo esbelto de Ratanga, com a barriga de tanquinho. Jogou a calcinha no palco e Ratanga imediatamente a vestiu.
Foi a apoteose final do show. Todos aplaudiam e se rasgavam. Ratanga era uma estrela.
Um empresário americano estava na platéia e acompanhou cada lance. Ofereceu um contrato milionário a Ratanga, para se apresentar nas boites gays de São Francisco com o nome artístico de Rat Boom-boom.
Só que Vanessa agora queria aquele homem. Proibiu sua ida aos Estados Unidos, falando que lhe daria casa, comida, roupa lavada e dois filhos lourinhos. "Ok", disse Rat, "mas só se eu puder jogar gamão às terças-feiras com meus amigos do clube!".
Vanessa topou. Mas até hoje se arrepende de ter aceito essa condição...
LUCIANA FILPO 2:42 PM
Comments:
(de 7 de março de 2003)
Amanhã é aniversário do Paul e também o Dia Internacional da Mulher.
Eu achava que era por isso que o Paul era tão delicado e fofinho, por uma influência do dia. Mas ouvi boatos de que o dia do aniversário dele era, originalmente, dia 6 de julho. Então decidi pesquisar o histórico dessa data e... desvendei o mistério! Narrarei a seguir "A LENDA DA PRINCESINHA ROSA BEBÊ", que deu origem a esta data comemorada mundialmente, o aniversário de Paul Conolly.
Em 6 de julho de 1988, quando Paul completava 15 anos, sua roupa de debutante não ficou pronta. A Enid trabalhava árduamente na confecção do modelito, em tons de verde água e salmon. Lindo, lindo. Mas ela ficou gripada, tomou um antialérgico e dormiu durante 18 horas.
A noite chegou, a festa estava toda pronta, mas a roupa ainda não estava com os bordados finalizados, então Paul chorou. Chorou muito, muito, até que seus olhos ficaram inchados e ele começou a ver tudo distorcido. Aí viu sua irmã Vanessa e a ouviu falando uma típica frase sua: "Eu sou foda!". Pobre Paulzito... Ele entendeu "Eu sou fada!" e teve certeza de que seus problemas seriam resolvidos pela Fada Madrinha.
"Fada Madrinha, me ajude! Eu não tenho nada para vestir!". E a Víbby respondeu: "Madrinha não! Eu sou a Fada Magrinha! E vou te emprestar um pretinho básico."
Malignamente, Vanessa pegou um vestido que ela tinha usado para dançar no balé da Enid Sauer em 1942, num cabaré da Lapa. Era toda rosa bebê, com saia curtinha de tule e orelhinhas de coelho recobertas de pelúcia. Paul estranhou, Vanessa disse que ele estava vendo mal porque seus olhos estavam inchados (pelo menos dois).
Paul foi para a festa. Lindo. Parecia um algodão doce com orelhas compridas. Dançou a noite inteira, bebeu todas e pegou geral. Até que, ao se abaixar rebolando até o chão, numa manobra arrojada, seus amigos viram que embaixo da saia Paul exibia um rabinho de pom-pom rosa, com toques de purpurina prata.
A festa virou uma confusão de gritos, todos chamando o "Paul Pom-Pom, Paul Pom-Pom!!!"
Paul ficou triste, sentido. Sentiu na pele como era ser tratado apenas como um pedaço de carne que tem rabo. Entendeu como se sentem todas as vagabundas do mundo, quando julgadas apenas pelo rabo.
"Agora eu entendo as cachorras. De agora em diante meu aniversário fica transferido para o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher!"
Desde então, a nova data foi adotada. E, apesar do apelido Paul Pom-Pom ter sido abafado, ainda há quem se lembre da lenda. Não vamos deixá-la morrer!
Na próxima semana estudaremos a origem de outro apelido, no ensaio "Rat Boom-boom ou Rat Bumbum?". Aguardem.
LUCIANA FILPO 2:37 PM
Comments:
/// ///
|
|
|